textos sobre as mídias na educação
EDUCAÇÃO INFANTIL, TECNOLOGIA E CULTURA
Maria da Assunção Folque ( professora do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora – Portugal )
Entendendo a escola como um espaço de criação de cultura, esta deve incorporar os produtos culturais e as práticas sociais mais avançadas da sociedade em que nos encontramos. Espera-se, assim, da escola uma importante contribuição no sentido de ajudar as crianças e os jovens a viver em um ambiente cada vez mais “automatizado”, através do uso da eletrônica e das telecomunicações. Essa perspectiva não é incompatível com a busca por uma escola que seja um espaço de humanidade e de encontro pessoal, construindo “humanidades mútuas de alunos, envolvidos conjuntamente na resolução de problemas, na contribuição de todos para o processo de educação mútua” (Bruner, 1996, p.15).O horizonte de uma criança, hoje em dia, ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou do seu país, quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional.
As tecnologias como ferramentas a serviço de Atividades culturais.
Antes de considerarmos os aplicativos tecnológicos como um recurso educativo, é importante olharmos para eles como ferramentas que foram concebidas para responder a uma determinada função na sociedade em que vivemos. É em relação a essa função que devemos primeiramente avaliá-las, questionando para que servem e em que medida serão as melhores ferramentas disponíveis para cumprir determinada função.
A funcionalidade das ferramentas tecnológicas insere-se no âmbito de uma atividade humana. Toda atividade humana é orientada para um motivo e incorpora um conjunto de ações e operações realizadas pelos sujeitos envolvidos no motivo da atividade. É no contexto desse âmbito significativo de uma atividade (por exemplo, fazer um livro) que utilizamos determinadas ferramentas tecnológicas (por exemplo, processador de textos, editor de imagens) e assim nos apropriamos de suas potencialidades. Muitas vezes, na escola, as ferramentas surgem como o centro do processo educativo, e não como subsidiárias da atividade cultural significativa, perdendo todo o alcance da atividade humana. Uma reflexão sobre a funcionalidade das tecnologias pode ajudar as crianças e educadores a considerar um espectro mais alargado de potencialidades que as tecnologias oferecem. As ferramentas tecnológicas , entre outras razões, são utilizadas para registrar e reproduzir dados; acessar e recolher informações; organizar, produzir e divulgar informações; criar, expressar comunicar e cooperar; colaborar, brincar e jogar, etc. Todas essas funcionalidades devem ser exploradas no processo de aprendizagem, mas sempre em estreita relação com a atividade humana que lhes dá sentido.
(FOLQUE; Maria da Assunção, Educação Infantil, Tecnologia e Cultura. Revista Pátio:educação infantil, n. 28, pág. 08-10, Jul/Set. 2011
EDUCAÇÃO INFANTIL, TECNOLOGIA E CULTURA
O PAPEL DO EDUCADOR
Maria da Assunção Folque
Em uma sociedade tecnológica, o educador assume um papel fundamental como mediador das aprendizagens, sobretudo como modelo que é para os mais novos, adotando determinados comportamentos e atitudes em face das tecnologias. Por outro lado, perante os produtos tecnológicos, o educador deverá assumir-se com conhecimento e critério, analisando cuidadosamente os materiais que coloca a disposição das crianças.
Sabemos que a qualidade de alguns programas educativos significa um retrocesso em termos de conhecimento pedagógico ao reproduzir materiais de estímulo-resposta, não permitindo que a criança encontre respostas diversas nem qualquer espaço para a criação. Esses materiais, atraentes no aspecto gráfico e nos estímulos sonoros ou de movimento que gratificam a resposta certa, promovem uma aprendizagem passiva desprovida de sentido para a criança.
No entanto, também sabemos que, se a forma como os materiais estão estruturados pode determinar inicialmente o tipo de atividade em que a criança se envolve, é sobretudo a forma como esses materiais são utilizados que pode permitir ou não experiências mais ricas. E aqui uma vez mais se realça o papel do educador como animador de processos de exploração e utilização dos materiais de referência significativa para as crianças.
Não são as tecnologias que vêm transformar a pedagogia. Os materiais, por si só, não ensinam. As aprendizagens implicam organizações inteligentes – processos significativos, interativos, de ajuda mútua e recursos diversificados de acesso aos saberes.
- Para saber mais:
(FOLQUE; Maria da Assunção: Educação Infantil, Tecnologia e Cultura. Revista Pátio:educação infantil, n. 28, pág. 08-10, Jul/Set. 2011
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